A cada passo me sinto incerto
Já não me traço como antes
O que faço me desperta,
no meu peito crava a foice
A cada passo me vejo livre
Solto, fingindo que vivo
Sorvo a vida numa taça
Como a traça num bom livro
A cada passo, descompassado sigo
Recebo meu passe frívolo
Cego ao passo que me sinta
do espaço em que me sirvo
A cada passo, um nó, um laço
Nó de pinha, nó de umbigo
Num abraço de aconchego
No compasso de estar vivo
Por Aline Luz
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