Eu acredito em palhaço
Sorriso solto, medo escondido entre o nó da gravata de laço
Vira, pula, cai levanta, vibra, corre, chora, canta
Malabares, Cambalhotas, gargalhadas, giros no espaço
Eu acredito em palhaço
Pedaços soltos de lembranças pintados no sorriso aberto
Aquela risada gostosa, que se solta só na infância
Tem a estrada como casa, sem endereço, rumo incerto
Eu acredito em palhaço
Que mesmo de nariz falso, tem a verdade nos olhos
Vê do picadeiro a vida, espera o fim do espetáculo
Aguardando por sorrisos, ansiando por aplausos
Eu acredito em palhaço
Que ri dos seus próprios medos, escondendo seus segredos no
buraco do chapéu
a imagem da esperança num sorriso de criança, salta, corre,
cai, balança
se equilibra, chora, dança, pula alto e nem se cansa,
tentando alcançar o céu
Eu acredito em palhaço
Porque ainda guardo aqui, bem fundo do meu peito, um
pouquinho de criança
Se por um instante esqueço, dessa vida tão maluca, me lembro
desse tesouro
Chaveado na gaveta,
embrulhado nos meus sonhos, na caixinha da esperança.
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