Quando o
cromossomo “XY” de papai resolveu se unir ao cromossomo “XX” de mamãe, pronto,
estava feita mais uma história de “quases”.
Por um
“quase” eu nasci menina, por um “quase” pesando 5Kg, na verdade 4,60 Kg, menina
gordinha, nada de “quase”, gordinha mesmo, gostosa de morder e difícil de
carregar, que o diga minha mãezinha...
Existem
certas fases na vida em que nos colocamos entre uma situação e outra, sem
conseguir definir exatamente em que “ponto” nos encontramos. Como no caso da
noiva na véspera do seu casamento, será ela “quase” casada? E a menina que vê
precocemente seu corpo florescer em volumes incômodos e indefinidos, nem bem
voluptuosos, nem bem inocentes, menina ou uma “quase” mulher? E os “quase”
vegetarianos? Carne? Somente socialmente. Por outro lado uma mulher “quase”
grávida, por exemplo, seria um desafio a ciência moderna.
A fase do
“quase” na verdade acredito que nos acompanhe durante toda vida. Vivemos
constantemente em cima do muro, posição mais simpática, mais política e
confortável.
Quando
somos pequenos, para algumas coisas nossos pais alegam que “ainda não somos
grandes”, enquanto que para outras ouvimos estáticos “você não acha que já está
meio “grandinho” para isso?” Ficamos nesse limbo, em meio a duas realidades. Na
adolescência, essa é a pior fase do quase, para ambos os gêneros, os meninos
têm a voz “quase” grossa, alguns fiozinhos de barba resolvem aparecer aqui e
acolá, praticamente “quase” homens. E para elas? corpos indefinidos, criando
volumes, embora disformes ainda. Aliás, nesse período poderia ser permitido ao
ser humano “hibernar”, como os ursos, só retornando à vida depois de passada
essa fase, os pais com certeza iriam adorar mais ainda.
Mas passada
essa fase, conquistamos nossa tão sonhada liberdade. Entre os dezessete,
dezoito anos nos consideramos “quase” adultos, nos faltando apenas o mísero
detalhe financeiro para que possamos alcançar nossa “redenção”. Estudamos, e lá se foram “quase” vinte e um,
nos formamos, “quase” vinte e cinco e quando nos damos conta, estamos chegando
aos temidos “quase” trinta.
Se nesse
momento lhe bater o sinal vermelho e os comentários daquela tia chata, que em
todos os encontros de família insiste em indicar que é “hora de ser mamãe”,
“hora de casar”, passarem a fazer algum sentido; bem vinda ao grupo dos “quase”
trinta.
Não que os
“quase” quarenta e “quase” cinqüenta não tenham tanta importância quanto, porém
depois dos “quase” trinta, acabamos por abandonar essa história de “quase” e
passamos a “já passei dos trinta”, por isso, essa fase torna-se tão importante,
percebe?
Pois bem,
se este é o seu caso, não se aflija, ainda há esperança! Assuma seu lugar no
mundo de adulto bem sucedido, que sempre colocou sua carreira e estabilidade
acima de tudo e vá a luta.
Se a
questão é a sua “metade da laranja”, existem lugares ótimos para se conhecer um
parceiro ou parceira. Se você é do tipo intelectual - prático, que tal uma pós?
Universidades são ótimos locais de se conhecer outros solteiros igualmente
desesperados - digo, esperançosos, unindo o útil ao agradável.
Porém, se
você é do tipo romântica à moda antiga, como diria o rei, cuidado, talvez o
príncipe encantado necessite de algumas modificações. Se o sapinho for legal,
nada de que um “banho de loja” e um “intensivo de academia” não resolvam.
Mas se você
é do tipo que convive muito bem consigo mesma, assuma a sua condição, como o
brado da voz do destino, que Beethoven incutiu em seu último quarteto de cordas
“Es muss sein”, tem que ser. Mas cada um na sua, nem todos nasceram para
propaganda de margarina, e ninguém tem nada com isso.
Independentemente
da condição do ser humano em questão, casado, solteiro, bem ou mal sucedido,
esse é um momento de passagem, para pontos negativos como quilinhos e
“ruguinhas” a mais, porém também pontos positivos, momento de auto - afirmação,
de conquista real do seu lugar no mundo. De consciência do seu “eu” para os
mais espiritualizados; para os mais vaidosos, momento de aumentar o poder do
creme anti – rugas, mas para todos, um momento de celebrar a maravilhosa
condição humana, de se re-inventar a cada nova fase da vida, de sermos
eternamente seres “quase” perfeitos.
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